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19
Jul 10

 

"Democracia com fome, sem educação e saúde para a maioria, é uma concha vazia."

 

Nelson Mandela

publicado por antonio ribeiro às 23:53

02
Jul 10

 

Karmel (Cisjordânia) - A ocupação israelita da Cisjordânia é amplamente reconhecida como insustentável e dispendiosa para a imagem do país. Mas outra verdade clara tem de ser reconhecida: a ocupação é moralmente repugnante.

 

A sul do território, aqui nas colinas de Hebron, num dos lados da cerca de arame farpado, fica a aldeia beduína de Umm al-Kheir, onde os palestinianos vivem em tendas e barracas decrépitas. Não lhes é permitido aceder à rede eléctrica e Israel não os autoriza a construir casas, estábulos para os animais ou mesmo casas de banho.

 

De acordo com os aldeões e organizações de direitos humanos de Israel, sempre que os aldeões constroem estruturas permanentes, as autoridades israelitas chegam e deitam-nas abaixo. No outro lado da cerca de arame farpado está o colonato judeu de Karmel, um adorável oásis verde que parece um subúrbio americano. Tem jardins exuberantes, crianças a andar de bicicleta e casas com ar condicionado.

 

Até tem um aviário resplandecente e com energia eléctrica que é gerido como empresa. Elad Orian, um activista dos direitos humanos israelita, acena para o aviário e refere: "Aquelas galinhas têm mais electricidade e água que todos os palestinianos das redondezas."

 

 É justo reconhecer que existem dois pesos e duas medidas no Médio Oriente, mas os abusos israelitas estão sujeitos a um escrutínio especial. Afinal o maior roubo de terra árabe no Médio Oriente não tem nada a ver com os palestinianos: é a usurpação por Marrocos do Sara Ocidental, rico em recursos, às pessoas que nele vivem.

 

Nada disso altera a horrel verdade de que Israel, aliado dos Estados Unidos, está a usar o apoio militar americano para manter a opressiva e injusta ocupação.

 

Israel aliviou este ano o controlo nos checkpoints - uma verdadeira melhoria da qualidade de vida -, mas o sistema é intrinsecamente maligno. A B'Tselem, organização de direitos humanos israelita que há muito admiro, levou-me às colinas de Hebron para observar as injustiças especialmente graves que os palestinianos aqui enfrentam.

 

Como Israel, aparentemente, cobiça esta terra para a expansão dos seus colonatos, engendrou uma série de fracas desculpas para expulsar palestinianos das aldeias em redor ou para lhes tornar as vidas tão miseráveis que partem por iniciativa própria. "É uma tentativa permanente das autoridades para empurrar as pessoas daqui para fora", afirma Sarit Michaeli, uma porta- -voz da B'Tselem.

 

Na aldeia de Tuba, alguns agricultores palestinianos vivem em cavernas sem água nem luz porque as estruturas permanentes são destruídas por carecerem de licenças de construção que nunca são concedidas.

 

Os agricultores agitam-se enquanto lutam para recolher água da chuva, ao mesmo tempo que o colonato mais próximo, Maon, se deleita com a água canalizada pelas autoridades israelitas. "Plantam árvores e jardins e têm fartura de água", reclama Ibrahim Jundiya, que cria ovelhas e camelos em Tuba. "E nós não temos sequer o suficiente para beber. E ainda por cima estávamos cá quando eles chegaram." Jundiya diz que, quando acaba a água da chuva, a sua família tem de comprar reservatórios de água a nove euros por metro cúbico.

 

Este valor é pelo menos quatro vezes superior ao que pagam a maior parte dos israelitas e dos colonos. Os confrontos violentos com colonos israelitas fizeram pesar ainda mais o fardo. Em Tuba, houve crianças palestinianas várias vezes atacadas por colonos israelitas no caminho para a escola primária.

 

Para proteger as crianças, os voluntários estrangeiros da Christian Peacemaker Teams e da Operation Dove começaram a escoltar as crianças no ano lectivo de 2004-05 - e os colonos espancaram os voluntários com correntes e tacos, de acordo com relatórios de direitos humanos e notícias da altura.

 

Os ataques contra voluntários estrangeiros atraem mais atenção que os ataques contra os palestinianos, por isso o exército israelita começou a escoltar as crianças palestinianas de Tuba até à escola primária. Mas os soldados nem sempre aparecem, dizem as crianças, e estas fazem um desvio de uma hora e meia até à escola para evitar passar perto dos colonos.

 

Por seu lado, os colonos queixam-se da violência dos palestinianos, e é verdade que houve vários incidentes nesta área entre 1998 e 2002 em que foram mortos colonos.

 

 Em parte por causa de confrontos à pedrada entre árabes e israelitas, o exército de Israel costuma manter os palestinianos bem longe dos colonatos israelitas - mesmo que isso implique que os agricultores palestinianos deixem de poder cultivar a sua própria terra.

Entretanto, os colonatos continuam a crescer, aparentemente de maneira inexorável - e esse é capaz de ser o aspecto mais odioso da ocupação.

 

Noutros aspectos, é evidente algum progresso. O grupo de ajuda humanitária da Orian - Communitiy, Energy and Technology in the Middle East - instalou moinhos de vento e painéis solares para fornecer um pouco de electricidade aos palestinianos que são mantidos sem acesso à rede eléctrica. E os ataques dos colonos desceram significativamente, em parte porque a B'Tselem equipou muitas famílias palestinianas com câmaras de vídeo para documentar as agressões.

 

Mesmo assim, uma grávida palestiniana de 19 anos da aldeia de At-Tuwani foi hospitalizada este mês depois de um ataque de colonos.

Israel tem razão quando argumenta que abrir mão da Cisjordânia levantaria verdadeiros problemas de segurança. No entanto, não devemos perder de vista o facto mais elementar sobre a ocupação: está errada.

 

Nicholas Kristof, The New york Times

publicado por antonio ribeiro às 14:16

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publicado por antonio ribeiro às 10:40

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