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12
Dez 05

Albino Silva, o ex-presidente da empresa municipal Odivelgest, que apenas ontem (30 Novembro) cessou funções, é militante 8260 do PS, em diversas entrevistas que cedeu aos órgãos de comunicação social locais fez rasgados elogios ao desempenho dos trabalhadores da empresa e dos anteriores vogais do Conselho de Administração e teceu um rol de acusações ao actual executivo municipal, tendo mesmo afirmado ao Jornal «Nova Odivelas», a propósito do PS Local, que o «PS toma as posições que muito bem entender. Mas se as tomar e elas firam a minha honra e dignidade, responderão em local próprio por isso mesmo e obrigar-me-ão a dizer outras coisas que eu não quero porque pretendo que algumas pessoas continuem a dormir. Se me obrigarem, se calhar, deixam de dormir ou poderão ir dormir a outros locais que não as suas casas. E mais não digo!». (...)


Transcrevemos de seguida excertos da notícia publicada pela Rádio Nova Antena / Revista Figura e da entrevista dada por Albino Silva ao Jornal «Nova Odivelas».


Excerto da notícia publicada, com data de 30 de Novembro, pela Rádio Nova Antena / Revista Figura:


«Albino Silva está de saída, mas na hora de arrumar os papeís não poupa criticas à actual presidente de Odivelas na forma como conduziu o processo.


"Fui despedido pelos jornais, porque só no dia 21 deste mês é que a senhora presidente me deu conta das suas intenções, tive oportunidade de lhe dizer olhos nos olhos, cara na cara, que estava chocado com esta atitude", refere o presidente cessante.


Uma demissão já esperada por Albino Silva já que "quando as pessoas não estão de acordo com algumas atitudes que são tomadas são imediatamente marcadas, para que na primeira oportunidade possam ser postas à margem, foi o que aconteceu".


Mudanças que se ficam a dever a situações passadas, mas Albino Silva sublinha que "nunca se colocará debaixo do chapéu do partido socialista para exercer qualquer cargo".


Na hora da saída, o presidente cessante faz um balanço muito positivo da gestão da Odivelgest. "O maior objectivo era diminuir o défice da empresa, em 2002, a odivelgest tinha um saldo negativo de 243 mil euros e em 2004 desceu para 124 mil euros, estamos em 2005, e segundo o técnico oficial de contas, o défice é de 53 mil euros", sublinha.».


Transcrição de excertos da entrevista publicada pelo Jornal «Nova Odivelas», com data de 30 de Novembro:


«Nova Odivelas > A pergunta que se impõe neste momento de saída: que balanço faz do seu tempo de gestão na Odivelgest?


Albino Silva > Considero o desempenho do Conselho de Administração altamente positivo. Pelo seguinte: o défice que esta casa tinha em 2002 era de 243 mil euros; em 2003 (já na minha gerência) tivemos 128 mil euros e em 2004, 124 mil euros. E prevejo que, em 2005, fique abaixo de 100 mil euros. São dados públicos, enviados para a Conservatória, publicados em Diário da República e enviadas ao Tribunal de Contas.


Gostaria aqui de salientar que estes resultados não são de um homem chamado Albino Rodrigues da Silva. São de um Conselho de Administração que sempre me apoiou e fundamentalmente de uma equipa de trabalhadores que esta empresa tem, e que eu considero dos melhores que me passaram pelas mãos. Sem eles, sem o seu esforço e compreensão estes resultados não eram possíveis.


Perante isto pode-me perguntar se isto é uma empresa que vive com défice permanente. E eu respondo: como sabe as Piscinas Municipais têm uma componente social. Nós, Conselho de Administração - apesar de nos estatutos dizer que temos autonomia financeira e administrativa - estamos sempre condicionados a que um aumento na tabela de preços seja sujeito a aprovação da Câmara Municipal. Por exemplo, este ano quando apresentámos o nosso plano de actividade para a actualização das tabelas, por motivos políticos, fomos condicionados a aumentar em 2%. Na prática isto foi nulo.


Nova Odivelas > Como assim?


Albino Silva > Porque nós aumentámos em 2% as tabelas e a partir de Julho o IVA aumento para 21%. Como as tabelas têm IVA incluído, os 2% que recebemos com a mão direita dos utentes, fomos dá-lo, com a mão esquerda, ao Estado. Daí ser nulo. Quando nós este ano demos o aumento aos funcionários de 2,45%, quando a luz aumentou mais de 4%, o gás mais de 6% e etc.. Portanto, tivemos um aumento nulo nas receitas e um aumento positivo nas matérias primas que são o grosso de consumo das Piscinas Municipais. Apesar de tudo isto, o nosso Técnico de Contas em colaboração com o Revisor Oficial de Contas, fez uma demonstração de resultados de 2005. Em função do Orçamento apresentado para 2005, esta casa iria ter um saldo negativo de 127 mil euros. Isto é o orçamentado para 10 meses. Portanto, o orçamentado para 31 de Outubro, seria um saldo negativo de 105 mil euros e temos um saldo negativo de 53 mil euros, ou seja, menos 50% - números que também forneci à Sr.ª Presidente de Câmara quando, no dia 21 deste mês, me chamou para comunicar que eu ia ser subsitituido. O que me leva a afirmar, de forma categórica, que o défice este ano será inferior a 100 mil euros. Ou seja, tem havido um estado de recuperação financeiro desta empresa.


Nova Odivelas >  Quando lhe foi comunicada a decisão da sua saída que justificações lhe foram apresentadas?


Albino Silva > Achava eu que seria de boa política que este Conselho de Administração continuasse até final de Dezembro para poder apresentar as suas contas. Todavia, a Sra. Presidente da Câmara quis que assim fosse e assim será, sem nenhum problema da minha parte e restantes membros do Conselho de Administração. No entanto, tenho-me mantido calado e politicamente correcto até esta altura. Sou militante 8 260 do Partido Socialista. Estou no PS na defesa dos ideais em que eu acredito. E achei que, até à altura das eleições autárquicas, me deveria manter calado para não perturbar o processo eleitoral. Todavia, agora, nada me obriga a ficar calado porque também alguns dos que hoje fazem parte do executivo da Câmara não estiveram calados durante dois anos. Antes pelo contrário. Disseram cobras e lagartos do anterior executivo e não tiveram relutância nenhuma em pôr em cheque o PS e em dividir o PS. Perante isto, e respondendo à sua questão, agora directamente, o que a Sra. Presidente me informou foi apenas o seguinte: "o seu trabalho foi excelente, mas existem compromissos políticos que têm de ser pagos". Como tinha dois elementos da lista que não foram eleitos - não mo disse desta forma, mas a minha dedução foi lógica - tiveram que ser nomeados para as empresas municipais.


Nova Odivelas > Falamos de nomes como Eduarda Barros, no caso da Odivelgest?


Albino Silva > Se formos à lista  do PS e verificarmos quem não foi eleito, verificamos que, em principio, foram nomeados para respectivos Conselhos de Administração. Mais não digo.


Nova Odivelas > Em declarações  a um outro órgão de comunicação social regional, chega mesmo a falar que se sente vítima de saneamento político.


Albino Silva > Convictamente. E passo a explicar porquê! Fui, até quase final de 2003, membro da Comissão Política do PS e membro do seu Secretariado. Nessa altura, as guerras e os ataques que eram feitos ao ex-presidente da Câmara eram altamente violentos. Numa reunião da Comissão Política, mais uma vez, fez-se um ataque violentíssimo à gestão feita pelo anterior presidente e eu - que nunca corri a lugares - fiz uma intervenção que mantenho e está escrita, onde apelo à união do partido. Isto no sentido do presidente da Comissão Política de então e o presidente da Câmara, se encontrassem e, para defesa dos interesses do partido, encontrassem um entendimento porque aquela actuação iria dividir o partido em dois. A partir dessa altura, a espada ficou sobre a minha cabeça. Porque alguém pensou que eu iria pactuar com aqueles ataques e que eu iria ter outro tipo de intervenção. Talvez pensando, julgo eu, que eu estaria a defender a manutenção do meu cargo na Odivelgest. Sou um homem independente em termos financeiros e, fundamentalmente, em dignidade. Ninguém tem dinheiro para me comprar e eu não troco as minhas convicções por qualquer lugar. A partir dessa altura foi dito a vários camaradas que jamais me seria perdoada aquela intervenção e que eu iria pagar a factura. Portanto, eu desde Outubro de 2003 que sabia que se ganhasse aquela facção que estava disposta a partir, que eu iria ser uma das vítimas. Quero salientar ainda que eu nunca, nessa intervenção defendo o Manuel Varges nem ataquei o presidente da Comissão Política concelhia do PS. A minha intervenção apenas veio dar razão aos meus receios de as divisões poderem prejudicar o PS nas eleições. Todos conhecem o resultado do PS nas eleições. Corremos o risco de ter perdido a Câmara.


Nova Odivelas > Volto à carga com a questão dos nomes eleitos para a Odivelgest: Eduarda Barros (PS), João Cardiga (PS) e Ricardo Tomás (PSD). O que lhe dizem estes nomes e o que espera deste Conselho de Administração?


Albino Silva >  Esses nomes não me dizem nada. Dois são meus camaradas. Sobre a Eduarda Barros não lhe posso dizer nada, julgo que é uma camarada recente no partido. A única coisa que sei é que é professora. Como não sei mais nada, não quero cometer nenhum tipo de deselegância porque não tenho elementos para apreciar as pessoas e como tal não devo fazer comentários sobre elas.


Nova Odivelas > E deixar algum conselho a este recém-eleito Conselho de Administração?


Albino Silva > Apenas digo o seguinte, eu não vim aprender a ser gestor quando vim para a Odivelgest. Sou-o desde 1972, em empresas minhas e outras não, e nenhuma delas foi à falência. Vim apenas pôr aqui em prática os conhecimentos que tinha. Os resultados falam por si e dizem que a gestão deste Conselho foi óptima e é reconhecido isso.


Nova Odivelas > Sai amargurado?


Albino Rodrigues >  Nada! A única coisa que sempre pedi é que em troca do meu trabalho me tratassem sempre com respeito e dignidade. E a única amargura que eu levo é que não fui tratado com respeito e dignidade. Comecei a ser despedido pelos jornais. E não deveriam ser os Conselhos de Administração os primeiros a saber disso? De resto, saio felicíssimo porque sou um homem que tenho espinha e tenho a minha independência financeira. E alguns dos que estão debaixo do chapéu do partido socialista, se lhe tirarem esse chapéu, não comem. Portanto, saio feliz, muito honrado por ter estado à frente desta casa com a equipa de recursos humanos que tem. Eu tenho dificuldade em me movimentar em determinados lamaçais. Gosto de andar com os sapatos limpos e a cara lavada. Depois disto, tirem as conclusões que entenderem. A única coisa que eu exijo é que me tratem com respeito e dignidade porque se alguém pretender atacar a minha dignidade, se calhar vou ter que abrir o livro, e dizer muito do que sei. E se calhar algumas pessoas ficaram muito aflitas e deixaram de dormir descansadas.


Nova Odivelas > Não teme represálias do seu partido, por esta tomada de posições?


Albino Silva > O PS toma as posições que muito bem entender. Mas se as tomar e elas firam a minha honra e dignidade, responderão em local próprio por isso mesmo e obrigar-me-ão a dizer outras coisas que eu não quero porque pretendo que algumas pessoas continuem a dormir. Se e obrigarem, se calhar, deixam de dormir ou poderão ir dormir a outros locais que não as suas casas. E mais não digo!


Nova Odivelas > Se tivesse de apontar situações que gostaria de ver modificadas na empresa, quais seriam?


Albino Silva >  Levo um desgosto da minha gestão. As Piscinas Municipais têm um insuflável que é um equipamento que já não se usa em nenhuma piscina e pode ser motivo para que algumas bactérias se movimentem no espaço. Lutei sempre para que a Câmara substituísse aquele "balão" por uma cobertura telescópica. Essa cobertura, não só daria mais beleza à piscina, como tinha alguma economia. Custava apenas 150 mil euros e além disso, para manter a actual cobertura, temos que ter duas máquinas que trabalham 24 horas por dia. Se tivéssemos a outra cobertura, essas mesmas máquinas essas máquinas trabalhariam apenas nas horas em que houvesse utentes. Havia uma economia de energia que, ao fim de seis anos máximo, pagaria os tais 150 mil euros da substituição da cobertura. Além de ajudar a reduzir o défice, teríamos menos despesa nessa área. Pedi à Câmara por uma razão muito simples porque não tem de ser só a Odivelgest a substituir os equipamentos porque aquilo é propriedade da Câmara Municipal. Se formos inquilinos de um andar é ao senhorio que compete fazer obras. Portanto, lutei até à última hora para que se cumprisse uma promessa que me foi feita. Não aconteceu por falta de visão estratégico-economica, talvez. »


CTCCMO

publicado por antonio ribeiro às 14:41

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