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Out 05

OS LIXOS do Estádio da Luz estão a ser despejados, num terreno em Montachique, Loures, classificado como Reserva Ecológica e Agrícola Nacional. São dez hectares que estão transformados numa lixeira a céu aberto, onde já estão depositadas muitas toneladas de detritos transportados pela empresa Glutões do Entulho, provenientes da limpeza do Estádio da Luz após os jogos de futebol ali realizados.


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O antigo proprietário desta empresa, Manuel Lourenço de Campos - que nunca conseguiu autorização da autarquia para usar este terreno como lixeira -, garantiu ao EXPRESSO ter alertado pessoalmente o presidente da Câmara Municipal de Loures, Carlos Teixeira, para o sucedido. «Disse-lhe, há cerca de dois meses: eu não pude vazar o lixo, mas eles podem e estão a fazê-lo», lembrou Manuel Campos.

 
Carlos Teixeira negou ao EXPRESSO ter sido abordado por este empresário e lembrou os vários processos instaurados, desde 2003, contra a dita empresa, sempre pelo mesmo motivo: vazamento de lixos e entulhos em locais proibidos.
 
«Cada multa pode atingir os 250 mil euros, mas a nossa capacidade de acção é muito limitada», justificou o presidente da Câmara de Loures, explicando: «Detectamos as situações, avançamos com os procedimentos legais e depois as coisas arrastam-se nos tribunais». E, com isso, o lixo vai-se amontoando no concelho.
 
Neste caso, Carlos Teixeira até sabe bem qual a origem do lixo: «Identificamos, lá no meio, vários documentos, como, por exemplo, uma carta da Federação Portuguesa de Futebol dirigida à direcção do Benfica».
 
Manuel Campos, que criou a Glutões do Entulho em 2003, chegou a dar um sinal para a compra do referido terreno, tendo, na mesma altura, tratado das respectivas autorizações junto do município. «Nunca consegui nada. Os meus pedidos vieram sempre indeferidos», contou ao EXPRESSO.
 
Uma vez que não teve sucesso, Campos acabou por vender a Glutões, em Agosto de 2004, ao filho de Mário Dias, dirigente do Benfica e administrador da Benfica Estádio, e a Carlos Trabuco, pai da dona da empresa que faz a limpeza do complexo desportivo do Benfica.
 
Logo após ter mudado de donos, a Glutões do Entulho começou a usar o terreno para vazar o lixo proveniente da Luz. «Não há da nossa parte qualquer incúria», diz, em defesa da câmara, Carlos Teixeira, acrescentando: «Mas estes são processos complicados. E nós até sabemos que estava ali a fazer-se um aterro, sem qualquer autorização», diz, revelando que o último processo de coima aberto contra a Glutões do Entulho tem uma data recente: 27 de Maio de 2005.
 
Zona protegida.
 
O terreno em causa situa-se em Tocadelos, perto de Montachique, uma zona agrícola do concelho de Loures, onde está devidamente sinalizada a «proibição» expressa de «vazamento de entulhos e lixos», actos sujeitos a «coima até 50 mil contos» - lê-se numa placa ali afixada pela câmara.
 
Aliás, e de acordo com o Plano Director Municipal (PDM) de Loures, este terreno está integrado numa área de «exclusivo uso agrícola», conforme aponta um documento do departamento municipal do ambiente a que o EXPRESSO teve acesso. Segundo este documento, «o terreno é atravessado transversalmente por uma linha de água», integrando, uma parte, a Reserva Ecológica Nacional (REN), e outra, a Reserva Agrícola Nacional (RAN).
 
Mesmo ao lado desta lixeira há um outro terreno, com uma placa que identifica o projecto «Arborização da Encosta», financiado por fundos comunitários destinados à florestação, o qual tem o apoio da autarquia, da freguesia de Fanhões e da Zona Agrária de Loures.
 
Manuel Campos revelou, entretanto, ao EXPRESSO que apresentou uma queixa-crime, por burla, contra o representante do dono do referido terreno, um indivíduo de nome José Chalaça.
 
Segundo Manuel Campos, terão sido José Chalaça e Carlos Trabuco quem o convenceu a comprar o terreno, que se destinaria ao vazamento do lixo. Na queixa-crime, Manuel Campos alega que os dois indivíduos «reforçaram que o terreno, apesar de ser rústico, se situava em local urbanizável e que eles tinham grande influência junto da câmara municipal, principalmente Carlos Trabuco, que referiu conseguir influenciar uma alteração ao PDM de Loures».
 
Hoje, a Glutões do Entulho também já não é de Mário Rui Dias e Carlos Trabuco. Os seus actuais proprietários são familiares de José Chalaça, que adquiriram a empresa em Fevereiro de 2005. O EXPRESSO tentou, sem sucesso, obter um comentário dos gerentes da empresa.
 

Graça Rosendo e Humberto Costa

 
publicado por antonio ribeiro às 10:36

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