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Jun 10

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Quando os presidentes se medem aos palmos 

 

A 22 de Janeiro de 2006, Cavaco Silva era eleito Presidente da República, com 50,68% dos votos. Nessa noite, a partir de uma das varandas do Centro Cultural de Belém, dirigiu-se ao País para assegurar que, daí em diante, seria "o Presidente de todos os portugueses". Na morte de José Saramago, mais uma vez, Cavaco mostrou que não é assim.

Como cidadão, Cavaco Silva tem o direito de não gostar de José Saramago. O sentimento era, aliás, recíproco. De não apreciar a sua obra. Mas, como Chefe do Estado, tinha o dever e a obrigação de actuar de outro modo perante as cerimónias fúnebres do escritor português. Ao contrário do que afirmou, Cavaco não fez tudo aquilo que era exigido a um presidente da República.

É verdade que não se tratou de um funeral de Estado. E, desse ponto de vista, a mensagem difundida por Belém e a promulgação da proposta de dois dias de luto nacional em memória do escritor foram, no plano protocolar, o mínimo que estava obrigado a cumprir. Mas José Saramago era, ou melhor, é figura maior da cultura portuguesa. Conseguiu o feito raríssimo de conquistar, em 1998, o Prémio Nobel da Literatura.

 

É um dos pouquíssimos portugueses reconhecidos à escala global. Por estas razões, o desaparecimento de uma figura com esta dimensão impunha, naturalmente, a presença física do Presidente, símbolo de todos os portugueses. Fazer-se representar por terceiros nos Paços do Concelho revela preconceito, falta de grandeza e incapacidade para ultrapassar divergências políticas e pessoais que, perante os factos, e mesmo tratando-se de um acto de censura como o que se verificou com O Evangelho segundo Jesus Cristo, ficam, necessariamente, reduzidas à insignificância.

Mais grotesco e pouco edificante se torna o episódio, quando ouvidas as incompreensíveis justificações para ausência. Não era amigo de José Saramago e tinha prometido há muito à família umas férias nos Açores.

Espero, sinceramente, que o Presidente da República, seja ele quem for, esteja por perto quando o País tiver de se despedir, por exemplo, de Manoel de Oliveira. Outra falta desta natureza só revelaria a ainda maior falta de estatura e dimensão de um chefe do Estado para cuidar de um dos mais preciosos bens do património de um povo: a sua identidade cultural.

 

por NUNO SARAIVA, dn.

publicado por antonio ribeiro às 13:47

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